A Apple deve lançar um novo - ou dois - iPhone no mês que vem, a Motorola apresentou o Moto X, a LG o G2 e a Samsung está no mercado com o Galaxy S4. Além de um monte de outras fabricantes que trazem seus dispositivos para o Brasil. São tantos, que normalmente é complicado descobrir qual é melhor e se um recurso vale a pena. Bem, nós vamos tentar ajudar um pouco. De verdade.
Bateria
Este é o calcanhar de Aquiles de qualquer smartphone. São tantos recursos, ferramentas e sensores ligados o tempo todo, que a autonomia de bateria do aparelho nunca aumenta na mesma proporção de outras novidades. Seja ele um Android, Windows Phone, iOS, BlackBerry...qualquer um. O que define o quanto a bateria poderá durar é uma medida chamada mAh. Geralmente um smartphone top de linha traz algo próximo de 2 mil mAh. É um número bacana, mas que garante um dia de uso moderado ou algumas horas de uso intenso.
Bateria do Razr Maxx e seus dois dias de duração
Porém, apenas a capacidade da bateria não é suficiente para saber se um celular vai drenar sua carga em dois minutos, ou se vai durar por umas 10 horas seguidas de uso pesado - algo tradicional em tablets. O sistema operacional otimizado para a quantidade X de carga da bateria, junto com recursos ligados e outras ferramentas, fazem parte do cálculo de uso energético.
Lembre de uma coisa: um smartphone pode ser vendido por mil recursos, que ligados o tempo todo, podem ser - e serão - vilões da bateria. Neste caso, se possível escolha por um modelo com maior quantidade de mAh. Uma boa dica é a linha Razr da Motorola, com foco nos aparelhos com o nome MAXX. Em testes que fizemos por aqui, a bateria do Razr Maxx foi capaz de durar dois dias de uso pesado. Isso engloba um jogo casual, acesso às redes sociais o tempo todo, Wi-Fisempre ligado, certa navegação em GPS e uso de músicas e vídeos em várias partes do dia. Não acredita? Dê uma olhada no nosso review do aparelho.
Até o momento, é o melhor gadget quando pensamos na bateria e na duração dela.
Recursos e ferramentas
Esta é a parte mais tocada recentemente nos lançamentos de celulares. As empresas deixam de lado dados técnicos, como processador e memória RAM, para dizer o que você pode fazer com eles. É bacana, deixa mais claro tudo que é possível, mas esconde que isso tem um custo: desempenho. Uma série de recursos ligados, como a Samsung gosta de vender em seus gadgets mais recentes (como rastreador de olhos para pausar um vídeo, para rolar a página, para entender que levantar o celular é atender a ligação, além de vários outros), aumenta o consumo de bateria e diminui o desempenho geral do aparelho.
Mil recursos nem sempre fazem diferença
Outro ponto que é bacana levar em conta, é a quantidade de vezes que este recurso incrível, que acabou de ser lançado, será utilizado. Ok, é bacana usar os olhos para rolar a página do navegador. Mas, pense bem, quantas vezes você utilizou isso no seu dia a dia? Ele é um recurso que vai mudar sua vida, ou que é mais para mostrar pros amigos o quão bacana é seu brinquedo novo? Eu, mesmo em um iPhone 5 que não tem tantas ferramentas extras como, por exemplo, um Galaxy S4, não uso mais do que a metade que a Apple instalou por aqui.
Processador faz tanta diferença assim?
Este não é o ponto mais compartilhado pelas empresas e fabricantes, mas quando alguma barreira é quebrada, como os oito núcleos que a Samsung trouxe para o chip Exynos 5 Octa, ele aparece no slide de apresentação. A diferença entre um smartphone de quatro núcleos rodando a 1.7 GHz e um de dois núcleos que rodam em algo próximo do mesmo clock, é mínima. Vale lembrar que isso vale para hoje, quando os apps e jogos não usam tanto o processador para que quatro núcleos apareçam muito mais do que dois.
Processadores de smartphones chegam a ter oito núcleos
Além disso, há o exemplo do chip Exynos 5 Octa, que vende a ideia de oito núcleos, mas que não entrega isso. É mais ou menos assim: há dois processadores de quatro núcleos, que revezam a utilização de energia. Isso significa que, em horas de maior necessidade de desempenho, como um game mais pesado, os quatro núcleos que trazem melhor rendimento (com processador Cortex A-15), entram em ação - com o preço de um gasto energético muito maior. Em momentos de calmaria, como quando você apenas responde um SMS, os quatro núcleos mais lentos (Cortex A-7) começam a funcionar, deixando o outro conjunto de quatro núcleos fora da jogada. É uma experiência inteligente de uso, já que é desnecessário ligar todos os núcleos ao mesmo tempo. Isso causaria um custo energético muito além do que a bateria pode entregar para o dia inteiro.
Por fim, há a GPU, que é bastante importante para o usuário. Ela é a placa de vídeo do smartphone e é responsável por bons gráficos. De nada vale um processador parrudo, com uma GPU mais leve. Em alguns exemplos, como acontece em padrão em todos os iOS, a GPU também trabalha para as animações do sistema operacional e para compensar o uso do processador para tarefas mais simples. Essa é parte da mágica que faz o iPhone 5 ter dois núcleos de 1.3 GHz e responder - em algumas ocasiões - com maior desempenho do que gadgets de quatro núcleos com, por exemplo, 1.8 GHz.
Megapixels da câmera
O Brasil viu as câmeras digitais chegando e o número de megapixels aumentando gradualmente. O mercado entendeu que quanto maior o número, melhor para vender mais rápido - é por isso que o MP3 player virou MP4, MP5, MP6, MP34, MP666, MP235566, quando o formato suportado não passou de MP3 e MP4. Para entender o nome megapixels, vamos deixar bem simples: ele corresponde à resolução da foto. Imagine que isso significa apenas o tamanho físico da foto, mas não para a qualidade da tinta que será jogada no papel. Do que adianta imprimir uma foto em um papel que vai cobrir toda a parede, se a impressora não entende o que fazer com tantos pontos necessários para cobrir todo o local? É isso que acontece nos smartphones e em tudo que usa megapixels.
Lumia 1020
A Nokia é expert neste quesito, principalmente com a tecnologia PureView. Ela utiliza uma grande quantidade de megapixels para realmente mudar algo na imagem, que não é apenas o tamanho dela. Além disso, há um sensor CMOS com melhor tecnologia de iluminação de imagem, que garante melhores fotos em baixa quantidade de luz. Por fim, o conjunto de lentes por lá também manda bem, fruto da parceria da empresa com a marca alemã Carl Zeiss. A Sony utiliza uma tecnologia própria em seus sensores, chamados de Exmor (e Exmor RS em modelos mais novos). O que o sensor sabe fazer com a quantidade de megapixels, vale mais do que apenas megapixels. Entendeu? Isso significa que vale mais um bom sensor de luz, com 5 megapixels, do que um péssimo sensor com 50 megapixels de resolução.
Memória interna
Os aplicativos estão crescendo aos poucos. Alguns games, como o Gangastar Vegas, ocupa 2.6 GB dentro do gadget. Isso é muito, principalmente quando o usuário precisa dividir o espaço com músicas, vídeos, fotos, aplicativos e tudo mais que há no smartphone. Além disso, há um espaço reservado para o sistema operacional (isso não acontece na memória externa do cartão microSD). O Android pega uns 2 GB para ele e a alteração do fabricante separa mais um tanto para seus apps e outros recursos.
Funciona assim: um smartphone de 4 GB, geralmente libera pouco mais de 2 GB para o usuário. Nem todos os aplicativos, no caso do Android, instalam na memória externa. Se você pensa em jogos e apps grandes, 4 GB pode ser pouco. Muito pouco. Quando o smartphone não oferece espaço extra por cartão de memória, como na linha Nexus de aparelhos, o problema é crônico. Para compensar esta falta, algumas fabricantes firmam parceria com espaço na nuvem e entregam vários gigas no céu. Pense no seguinte: não é toda hora que você estará em um Wi-Fi ou em um 3G/4G decente. Na estrada, geralmente Edge é o máximo que o usuário consegue, isso quando consegue.
Ter os arquivos na nuvem é interessante, mas apenas para dados que são acessados em poucas vezes, não o tempo todo. Ter 50 GB na nuvem, por exemplo, não vai resolver a pequena memória interna.
Sistema operacional
Esta diferença é tão complicada de explicar, quanto o que acontece com amantes de Fifa e PES. O iOS tem suas vantagens e desvantagens, assim como o Android, o Windows Phone, o BlackBerry e qualquer outro. Um ponto único que posso encontrar, para fazer diferença entre A ou B, é a quantidade de apps que você realmente precisa e que estão disponíveis na loja online da plataforma. A quantidade geral não significa muito, quando o que você realmente quer está do outro lado da fronteira, ou quando sempre demora para chegar no seu lado. Vamos listar as diferenças.
Android
Android
Este é o produto que o Google criou para competir dentro do mercado de smartphones, mas que entrega para vários fabricantes. Estes colocam sua cara dentro do Android e modificam de certa forma. Para bem, e para mal. É a plataforma dominante em quantidade de usuários e traz uma loja de apps bastante robusta, com livros, filmes, músicas e seriados. Conta com quase todos os apps do iOS e é o sistema operacional móvel mais customizável que existe. Se você não gosta da cara de certa fabricante, é só trocar o launcher por outro e melhorar a experiência. Simples assim.
Customização
O Jelly Bean traz algumas novidades bacanas, como a possibilidade de escrever por comandos de voz e navegar em partes do Google Maps, sem necessidade de conexão de dados ativa. Enquanto isso, marcas como a HTC, Samsung, Motorola e LG entregam melhorias para seus smartphones, como aplicativos bacanas para a câmera, melhor forma de visualizar os apps abertos e até a possibilidade de transformar o celular em um controle remoto universal.
Google Play
A pior parte do Android é o tempo indeterminado em que novidades do Google levam para chegar em alguns fabricantes. Alguns deles abandonam aparelhos com poucos anos de uso, deixando um novo Android apenas para modelos mais novos. Além disso, há um grande e preocupante número de malwares, algo bem semelhante ao Windows.
iOS 6
iOS 6
Há duas grandes razões para a Apple não mudar muito a receita de seu sistema operacional móvel que está em iPhones, iPads e iPods Touch: simplicidade e aplicativos. Há apenas uma tela, que é onde ficam todos os ícones e eles não podem sair desta forma travada. Há integração com o Facebook e Twitter para compartilhar links, fotos e publicar nestas redes sociais, o assistente de voz Siri (que ainda não fala e nem entende o nosso português, mas funciona em inglês, alemão, francês e outros idiomas). O serviço de mapas é da Apple, muito inferior ao Google Maps, há uma loja imensa de apps, músicas e filmes integrada ao sistema operacional e uma enorme quantidade de games de peso, que geralmente chegam primeiro por aqui.
Siri
A Apple é mais travada para liberar apps, mas conta com um número maior de opções do que seus concorrentes. Comparado ao Android, o iOS não oferece um atalho rápido para vários recursos e não permite a instalação de novas formas de exibir a tela inicial e outras ferramentas. Perde em beleza para o Windows Phone e em produtividade corporativa para o BlackBerry.
App Store
A pior parte do iOS é a falta de inovação no sistema operacional. O iOS 7 mudou muita coisa, mas ainda tem a mesma cara de 2007. A Apple reluta em mudar algo. Deu certo, mas não está agradando tanto assim, deixando que concorrentes tomem o espaço de usuários que esperam por novidades de verdade.
Windows Phone 8
Windows Phone 8
Esta plataforma é uma das melhores para um primeiro smartphone, ou para uma câmera fantástica em um celular (no caso do Lumia 1020). O Windows Phone é pura beleza estética, o mais belo de todos os sistemas operacionais móveis. A tela inicial permite a inclusão de vários atalhos, que vão desde atalhos para apps, passando por um link para uma página, indo até um documento do Word que você usa bastante. Outro ponto positivo é a presença do Office, completo e de graça.
Office completo
As empresas entregam melhorias para o sistema, mas não alteram seu visual. É bacana, mas diminui a diferença entre a fabricante A e a fabricante B. Sua loja de apps está bem atrás do iOS e Andorid quando o assunto são apps e - principalmente - jogos que são populares em outras vizinhanças.
Windows Phone Store
O pior ponto do Windows Phone é a falta de bons apps e de interesse dos desenvolvedores. Ainda há o abandono que a Microsoft fez ao Windows Phone 7.5, o que assusta desenvolvedores que criam jogos e apps para o WP. Por fim, a falta de uma lista com notificações confunde o usuário.
BlackBerry 10
BlackBerry 10
O BlackBerry OS mais recente é o melhor de todos os já lançados pela marca canadense. Ele trabalha melhor a forma corporativa do sistema operacional e deixou tudo com uma cara mais bacana, menos corporativo. O BBM ainda é um ponto exclusivo da plataforma, que popularizou serviços como o WhatsApp e Viber. O teclado virtual, ou físico, é um trunfo da marca. Ele é realmente bom e muito melhor do que o iOS, Android e Windows Phone entregam.
Tecladode alta qualidade
Se você pensa em levar para o trabalho, é uma ótima forma de não ter que usar dois smartphones. Ele divide a área corporativa como nenhum outro.
BlackBerry World
O pior ponto negativo por aqui está na falta de suporte dos desenvolvedores. São poucos os apps criados para a plataforma por empresas terceiras e poucos games de peso. Isso faz com que ele fique atrás até do Windows Phone. Por fim, o baixo desempenho dos aparelhos top de linha faz com que qualquer Android concorrente, ou o iPhone mais recente, passe longe neste quesito.
Resolução de tela
Aqui há dois pesos e duas medidas. Quanto mais, melhor, claro. Porém, quanto mais, maior poder de processamento é necessário e um consumo maior de energia acontece. O topo dos smartphones entrega resolução Full HD, ou 1920 x 1080 pixels. Quanto menor o tamanho físico da tela, melhor fica a imagem - mais nítida e com maior riqueza de detalhes. Porém, em certo tamanho de tela, a diferença entre um display com resolução de 720p (1280 x 720 pixels) e o 1080p (1920 x 1080 pixels) é imperceptível. Dá para perceber, mas apenas quando o olho está colado na tela, situação nada convencional e que você usará apenas para comparar um e outro aparelho. No dia a dia, não usará de forma alguma - se usar, sério, procure um oftalmologista.
Tamanho físico da tela
É bacana ver um smartphone com mais de cinco polegadas, mas também é estranho notar como você usará isso tudo nas mãos. O uso em uma mão só é algo difícil e a visualização de um usuário com um smartphone de quase sete polegadas, coladas no rosto, é ainda mais estranho. É uma tendência de mercado que os aparelhos topo de linha sejam tão grandes, o que é péssimo para mãos pequenas.
Samsung Galaxy Mega 6.3 ao lado do Galaxy S4
Há alguns lados positivos. Jogar em tela grande é melhor, ver fotos e vídeos nestas telas, é melhor. Ver sites, é melhor ainda. Porém, de nada adianta um display de 5 polegadas com resolução baixa. É como pegar sua fita VHS e colocar em uma tela de 65 polegadas. A qualidade é baixa. No caso do smartphones, você verá claramente os pixels e as curvas ficarão menos curvadas.
Junto do tamanho, esbarramos na tecnologia da tela. O nome IPS, por exemplo, pode não fazer sentido, mas ele faz e muito. Uma das maiores vantagens deste tipo de monitor é o grande ângulo de visão, antes que a imagem perca sua qualidade de cores e de brilho. Algumas fabricantes escolhem tecnologias ultrapassadas do LCD para pode baixar o custo do aparelho. Como teste, vire o aparelho e veja de as cores mudam, ou se a imagem fica com cara de um filme negativo. É isso que o IPS, ou telas AMOLED, costumam evitar.
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